Fahrenheit 451, de Ray Bradbury [Nota#1]*

Descrito como um romance distópico de ficção científica, a verossimilhança com nossos dias torna essa classificação, no mínimo, um tanto quanto duvidosa. É claro que nossos bombeiros ainda não lançam chamas nas casas ao invés de apagar o fogo, e ainda temos acesso aos livros de inúmeras formas e em vários lugares. Apesar de uma parcela da sociedade achar que os livros escolares têm mais palavras do que figuras, e que alguns deveriam mesmo ser queimados, no meio da rua, em praça pública ou em qualquer lugar; por causarem a degeneração dos jovens, adolescentes e crianças (sobretudo aqueles que compõe o kit gay supostamente distribuídos nas escolas). Os únicos textos que realmente importam para tais pessoas são a bíblia e a constituição – apesar das atrocidades interpretativas que fazem de ambas as obras e de praticamente rasgarem elas quando lhes convém. Mas o futuro descrito por Ray Bradbury não é inteiramente o nosso, ainda. Se falta muito ou pouco para o porte de livros ser ilegal e mais perigoso do que armas de fogo, talvez essa não seja a questão mais relevante. Menos ainda a demonização da digitalização do mundo físico e da telificação das relações sociais e o modo de vida como um todo. Qual seria então a questão mais relevante? Diria que o perigo dos sentimentos, pensamentos e ações extremistas é uma boa questão a ser problematizada. Ainda que qualquer intenção inicialmente seja boa, quando deixamos de ouvir o outro e somos levados pelas paixões o resultado quase sempre é catastrófico, sejam lá quantos estejam envolvidos.

Ps: a obra de Ray Bradbury foi parar nos cinemas em duas versões:

A primeira de 1966 sob a direção François Truffaut, estrelando Oskar Werner (Uma mulher para dois, O espião que veio do frio) como Guy Montag; Julie Christie (Darling, Doctor Zhivago) como Clarisse e Linda Montag; Cyril Cusack (Meu Pé Esquerdo, 1984) como Capitão Beatty.

E a versão de 2018 por Ramin Bahrani, e estrelado por Michael B. Jordan (Pantera Negra, Creed), como Guy Montag; Michael Shannon (Pearl Harbor, Vanilla Sky), como Capitão Beatty; e Sofia Boutella (Atomic Blonde, The Mummy) como Clarisse McClellan. Sendo essa última versão uma tentativa de atender as críticas feitas pelos leitores da obra.

* A obra de Ray Bradbury estreia uma nova seção de Notas Literária sobre obras estrangeiras, clássicas e não-ficcionais, com a finalidade de ampliar e diversificar as análises literárias do blog, tendo em vista que as Resenhas se destinam a análise das obras Nacionais contemporâneas.

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